Mosteiro de Singeverga
Monges Beneditinos

VI Domingo da Páscoa C
«Quem me ama guardará as minhas palavras e meu Pai o amará.»

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A liturgia deste VI domingo do tempo pascal orienta-nos, com toda a alegria pascal, para a Ascensão e Pentecostes. O texto evangélico (Jo 14, 23-29) consta de uma pequena parte do longo discurso de Jesus na última ceia. O Senhor aborda quatro temas fundamentais: o amor a Cristo manifesta-se na observância da sua Palavra; Cristo regressará ao Pai (morte-ressurreição-ascensão); o Pai enviará, em seu nome, aos discípulos o Espírito Santo como Consolador e como Mestre; antes de regressar ao Pai, Cristo dá, como só Ele pode dar, a paz.

Amar Jesus equivale a observar a sua Palavra. Sem o dizer explicitamente, Jesus aborda o tema da fé do discípulo em relação ao Mestre. É pela fé que o discípulo se mantém obediente ao Mestre. Da parte do discípulo, deixar que a Palavra do Mestre habite em si equivale à experiência de ser amado e habitado por Deus: «Quem me ama guardará as minhas palavras e meu Pai o amará».

Ao Espírito, enviado pelo Pai em seu nome, compete-lhe guiar a Igreja para acolher, guardar, aprofundar, interpretar, compreender, inculcar e transmitir com certeza e fidelidade os ensinamentos do Mestre. O evangelho não é um texto velho e ultrapassado, mantém-se vivo e fecundo de geração em geração graças ao dinamismo da Tradição, operado pelo Espírito. A fé, animada pelo Espírito, não é estática, mas dinâmica, viva, criadora de novidade na situação histórica em que se encontra.

A paz não é o resultado das estratégias humanas. A verdadeira paz, que cada um é capaz de produzir no seio da comunidade, é um “dom” de Jesus. Para o crente, a paz deve ser procurada na oração, na escuta da Palavra. Na óptica da fé, a paz já foi dada. Ao discípulo compete dar-lhe luz e a facultar a sua irradiação. Fora desta lógica, paz transforma-se num produto sócio-político que não tem nada a ver com ela. Portanto, não deve ser confundida com a tranquilidade, a ausência de problemas, o desaparecimento de qualquer conflito. Note-se que a falar de paz está Jesus, o Filho de Deus, pouco antes de se entregar à morte pela salvação de todos!