II Domingo da Páscoa
C
«Tomé,
um dos doze, não estava com eles quando veio
Jesus»

Também
nós, por vezes, experimentamos grandes dúvidas. Também nós, em
alguns momentos, perdemos o Senhor de vista… agora, porém, Ele está
aqui na nossa Comunidade, na sua palavra que acabámos de ouvir –
palavra do Senhor – e em cada Eucaristia que nos anuncia perdão e
paz.
Reconhecemos os nossos momentos de dúvida na incredulidade de
Tomé?
Recordamos, talvez, alguns amigos… familiares… ou antigos membros
que abandonaram a nossa comunidade?
Muitos começaram, como Tomé, por não estar presentes. Outros estão
fisicamente, mas não está o seu coração. Outros ainda pensam que
por faltar à Eucaristia não perdem nada. Todos sabemos que é assim
que se começa a perder a experiência do Senhor ressuscitado! Alguns
abandonaram logo no começo, outros depois de perder o gosto pela
Igreja e pelos sacramentos. Simone Weil diz que
“de duas pessoas que não fazem experiência de Deus, está mais perto
dele aquele que o nega do que aquele que está na
igreja”.
Mas “oito dias depois”, estavam os discípulos outra vez em casa e
Tomé com eles”: Jesus apresenta-se a Tomé, o incrédulo, “Põe aqui o
teu dedo e vê as minhas mãos; aproxima a tua mão e mete-a no meu
lado”; E Tomé acredita na revelação: “Meu Senhor e meu
Deus!”.
É sempre possível voltar a crer e a acreditar depois de uma
experiência de Deus,
“porque me viste acreditaste”.
Depois da experiência vem o Testemunho. Testemunhar, no sentido
cristão, não é dar notícia, mas tornar presente um acontecimento.
Por isso, o testemunho que torna presente a ressurreição compromete
sempre, supõe novidade de vida e exige universalidade. Se a
vivência da ressurreição fica dentro de casa, sem sair à própria e
concreta Jerusalém, perde intensidade, porque lhe falta o dinamismo
missionário. A vida cristã é sempre uma superação de seguranças
egoístas e defensivas. A fé pascal é sempre universal e dinâmica.
Por isso, será o anúncio dos crentes o melhor anúncio e a prova
mais clara da ressurreição.