Domingo de Ramos
C
A
imitação de Cristo

Este
grande domingo é guiado na sua Liturgia e espiritualidade pela
leitura da Paixão de Cristo segundo a redacção que nos oferece S.
Lucas, o evangelho que nos acompanha ao longo deste ano litúrgico.
Atentos, portanto, ao Evangelho que escutámos, dirigimos a nossa
atenção para o tesouro da paixão de Nosso Senhor pela qual todos
são convidados a alimentar-se, como diz a imitação de Cristo, um
clássico da espiritualidade cristã. Também Lucas, neste relato da
Paixão, nos orienta para a mesma perspectiva, o seguimento, a
imitação de Cristo.
Assim, Simão de Cirene e as mulheres, das quais Lucas oferece um
retrato detalhado, não são meros espectadores ou pessoas neutras,
mas modelos do seguimento de Cristo, neste instante decisivo da
vida de Jesus. De Simão, Lucas diz que lhe puseram a cruz para
ajudar a Jesus e esta expressão é usada pelo evangelista para
definir o compromisso do discípulo que “carrega todos os dias a sua
cruz” seguindo o seu Senhor, como sinal de doação. As mulheres
batem no peito e este gesto será repetido no final do relato pela
multidão que se lamentava batendo no peito. Este acto é
simbolicamente a representação do arrependimento e da conversão que
nasce do apelo de Cristo que diz: chorai por vós próprios.
Jesus, sobre a cruz, oferece ao discípulo um outro grande exemplo
para acolher no dia a dia, o perdão dos pecadores e das ofensas
recebidas: pai, perdoa-lhes porque não sabem o que fazem. É uma
lição que Jesus repetiu durante toda a sua vida e que o primeiro
mártir, S. Estêvão, porá em prática no momento em que o matavam.
Nesta linha de amor, de perdão e doação até ao fim coloca-se também
o episódio, referido por Lucas, do malfeitor arrependido a quem
Jesus oferece o dom da salvação no Reino. E com aquelas palavras de
amor também por nós se abriram os braços da misericórdia de
Deus.
No final da narração da paixão, Lucas realça uma nota aparentemente
insignificante: todos os seus conhecidos e as mulheres que tinham
seguido Jesus desde a galileia observavam estes acontecimentos. De
modo semelhante também a multidão, vendo o que acontecera, pensavam
no que tinha acontecido. Assim, para compreender o sentido profundo
de todos estes acontecimentos é necessário observar, pensar e
meditar. É necessário o caminho da contemplação, da reflexão, do
silêncio. Este é o convite que nos é feito durante esta semana, a
“Semana maior”, para chegarmos à celebração da Páscoa de Cristo.
Pela imitação de Cristo e pela aceitação da cruz que ele colocou na
nossa vida, reflictamos sobre o nosso modo de ser discípulos de
Jesus e peçamos a graça de participar dos seus sofrimentos para
podermos também participar da sua glória.