Domingo XIV do Tempo Comum
C
«Designou
o Senhor setenta e dois discípulos»

Depois do
apóstolo ter anunciado o Reino e ter oferecido o dom do
Shalòm
(significa
realização segundo Deus) que só Jesus pode dar, realiza-se o que o
profeta Isaías anunciava directamente àqueles que regressavam do
exílio da Babilónia, profetizando os tempos messiânicos da Igreja:
«Como a mãe que anima o seu filho, também Eu vos confortarei: em
Jerusalém sereis consolados. Quando o virdes, alegrar-se-á o vosso
coração e, como a verdura, retomarão vigor os vossos membros. A mão
do Senhor manifestar-se-á aos seus servos» (Primeira
leitura).
A semente do Reino não está apenas na mão dos ministros ordenados,
mas a todos os cristãos. A todos, ainda que de modo diverso, foi
dado a capacidade de levar e semear o Shalòm
de
Cristo.
O texto bíblico-litúrgico do Evangelho (Lc 10,1-2.17-20; forma
breve, Lc 10,1-9) foi retocado. Não contém o juízo escatológico
sobre as cidades que recusam a mensagem dos enviados de Jesus (Lc
10,13-16). O texto breve concentra a atenção da assembleia
unicamente nas características do enviado. Uma estranha escolha!
Enquanto na primeira leitura predomina a alegria e a consolação, o
mesmo tema aparece no evangelho no final da forma longa e que,
portanto, deverá ser a escolhida. Este texto poder-se-á ainda
dividir em três unidades: a designação dos setenta e dois; o
discurso da missão e as recomendações; a alegria dos setenta e dois
no momento do seu regresso.
A missão dos enviados de Jesus nasce da oração: «pedi ao dono da
seara que mande trabalhadores para a sua seara». A missão de Jesus
é sobretudo um acto de fé e não um projecto empresarial, para o
qual contam as tácticas e estratégias. A missão dos enviados de
Jesus concretiza-se num percurso: «Ide...». Trata-se de um percurso
através do qual Jesus envia os seus para o meio de todos os povos
do mesmo modo que Jáveh tinha disperso Israel, o cordeiro, no meio
dos outros povos, os lobos. O enviado aprenderá a pobreza (sem
bolsa nem alforge nem sandálias) porque o Reino é sempre proposto e
não imposto. Como resposta à proposta poder-se-á deparar com a
indiferença e a recusa. O convidado experimentará a liberdade: as
leis da pureza prescrevia alguns alimentos e proibia outros: «comei
e bebei do que tiverem». Aprenderá a total dedicação à missão que
não permite distracções: «nem vos demoreis a saudar alguém pelo
caminho»; «não andeis de casa em casa».
O regresso dos enviados está contracenado pela alegria. Satanás foi
vencido. O enviado não se deve alegrar apenas com a “vitória”
contra o mal, mas dever-se-á alegrar porque a partir de agora o seu
nome está escrito nos Céus: «alegrai-vos antes porque os vossos
nomes estão escritos nos Céus».