Homilia do XVI Domingo

Alguns
admiram-se pelo facto de Maria Madalena ter chamado a Jesus
ressuscitado com o nome de rabbuni, palavra que o quarto evangelista traduz por
«Mestre» («meu Mestre», seria mais preciso). Como não existia, no
tempo de Jesus, um discipulado feminino, há quem faça estranhas
conjecturas sobre a relação afectiva entre Maria Madalena e Jesus.
É necessário, portanto, esclarecer que Jesus é o primeiro rabino
que abre as portas ao discipulado feminino. O fundamento desta
iniciativa encontra-se no episódio evangélico deste
domingo.
Homilia do XV Domingo

Há um
modo curioso de interpretar a parábola do bom samaritano: o
mercador seria o cristão, os salteadores, os pecadores. O levita e
os sacerdotes representariam as forças humanas incapazes de
salvação; o samariatano é Jesus. O azeite e o vinho seriam a sua
bondade e misericórdia, o jumento que transporta o ferido, a
natureza humana de Jesus. As duas moedas seriam os dois grupos de
sacramentos (sacramentos de cura e de serviço); o regresso do
samaritano indicaria a parusia.
Homilia do XIV Domingo

Depois do apóstolo ter anunciado o Reino e ter oferecido o dom do Shalòm (significa realização segundo Deus) que só Jesus pode dar, realiza-se o que o profeta Isaías anunciava directamente àqueles que regressavam do exílio da Babilónia, profetizando os tempos messiânicos da Igreja: «Como a mãe que anima o seu filho, também Eu vos confortarei: em Jerusalém sereis consolados. Quando o virdes, alegrar-se-á o vosso coração e, como a verdura, retomarão vigor os vossos membros. A mão do Senhor manifestar-se-á aos seus servos» (Primeira leitura).
Homilia do XIII Domingo

Cada homem, de
modo misterioso, recebe na sua vida o chamamento de Deus. O
Espírito Santo, que possui a mesma fantasia infinita de Deus,
propõe à humanidade uma grande variedade de caminhos para que cada
um possa alcançar e transmitir Deus na alegria da sua própria vida:
o caminho de Eliseu constitui um exemplo veterotestamentário e o
caminho de alguns discípulos anónimos constitui um exemplo
neotestamentário.
Homilia do XII Domingo

Nos
nossos dias prolifera a ideia de que o crente pode ser cristão como
melhor lhe parecer. O evangelho (Lc 9, 18-24) deste domingo
contraria esta ideia: só é discípulo aquele que segue o que Jesus
determinou. E o que Ele determinou não é um cristianismo fácil e
anárquico. As características do discípulo são claras: o discípulo
renega a si próprio, toma a sua cruz e imita o Mestre. Qualquer
realidade que enriqueça, amplifique, e aprofunde estes elementos é
parte integrante do cristianismo. Por outro lado, se alguma
realidade contradiz ou exclui estes elementos não faz parte do
cristianismo. O que significa renegar a si próprio, tomar todos os
dias a sua cruz e imitar o Mestre?